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Agricultura e modelos de produção

Postado em 19/07/21
Agricultura e modelos de produção

Desde que o ser humano passou do nomadismo para o sedentarismo surgiu a necessidade de desenvolver habilidades para o domínio da natureza e da produção agrícola. Atualmente, existem várias formas de cultivo que se diferenciam em suas condições, características e necessidades de produção. A agricultura não se refere apenas à produção de alimentos para o consumo humano, no mundo contemporâneo ela também encontra mercado na alimentação de animais de abate e no abastecimento fabril. Conheça alguns tipos de modelos produtivos e suas propriedades:

 

Agricultura intensiva

A agricultura intensiva diz respeito a prática agrícola intensiva que mantém altos índices de produtividade, com prazos reduzidos e grande capital de investimento. Possui uma mão de obra especializada e um alto nível de tecnologia, com intensa mecanização em todas as etapas do processo produtivo. Há também rotação de culturas, uso de fertilizantes químicos, agrotóxicos e insumos que aumentam a produção. As áreas destinadas para esse tipo de produção possuem custo elevado e as sementes são selecionadas com alto rigor. Esse tipo de plantio tende a levar ao esgotamento dos solos em razão de seu uso permanente. É um sistema comum em países desenvolvidos, quando utilizado por países em desenvolvimento, geralmente é destinado para exportação.

 

Agricultura extensiva

Nesse tipo de agricultura, a produção é rudimentar, não existe grande capital investido e não há o emprego de tecnologias avançadas, nem de mão de obra qualificada. A produtividade, por essas razões, tende a ser baixa. Outra característica é o pouco uso de adubos e fertilizantes. Também não há uso de sementes selecionadas ou correção dos solos, contando apenas com a fertilidade natural deles. A mão de obra humana sobrepõe-se à mecanização, em geral existe um grande número de trabalhadores. Esse sistema de produção é comum em países subdesenvolvidos devido ao seu baixo custo, de forma geral  é voltado para o mercado interno.

 

Agricultura familiar

Como o próprio nome diz, a agricultura familiar corresponde à produção agrícola desenvolvida por famílias. No Brasil ela se configura como agricultura tradicional, de subsistência e com baixa produtividade. Em geral, os membros da família vivem nas terras onde se faz o cultivo e vem deles a mão de obra. Não há uso de fertilizantes no solo, nem técnicas de correção. O terreno, normalmente, é pequeno e a produção diversificada. A agricultura familiar representa, aproximadamente, 80% da produção mundial de alimentos, e configura uma grande importância para a economia.

Agricultura comercial ou moderna

A agricultura moderna é uma produção em grande escala, que se caracteriza pelo uso de tecnologias modernas, maquinários e mão de obra qualificada. Nesse sistema é praticada a monocultura, onde se cultiva uma única espécie. A produção feita em grandes extensões de terra e com alta produção, utiliza de forma ampla agrotóxicos, pesticidas, fertilizantes químicos e sementes transgênicas. É um tipo de agricultura muito praticada no Brasil. Infelizmente, esse método gera grandes impactos negativos para o meio ambiente como: desmatamento, queimadas, esgotamento dos solos e o uso excessivo de substâncias nocivas.

 

Agricultura sustentável

Esse é um tipo de agricultura, com impacto negativo mínimo para o meio ambiente, que tem como intuito a conservação dos recursos naturais, de maneira que a obtenção contínua das necessidades humanas seja assegurada, tanto para as gerações presentes como para as futuras.  Nela há uma preocupação com a saúde do solo, a minimização do uso de água, a redução dos níveis de poluição e a não utilização de pesticidas. A mão de obra tende a ser especializada e, ainda que sustentável, é uma produção que visa o lucro.

 

Agricultura orgânica

A agricultura orgânica produz alimentos sem agrotóxicos, com alto nível nutritivo, priorizando o bem-estar dos seres vivos. Além de produzir alimentos que visam a saúde humana, há também uma grande preocupação com o uso do solo e da sua manutenção. Na agricultura orgânica, os recursos hídricos são usados de maneira a se evitar o desperdício e não há contaminação do solo ou lençol freático por meio de produtos químicos. A produção geralmente apresenta um valor mais alto no mercado, devido a maior garantia em relação à manutenção da saúde.

 

Agricultura natural

Na agricultura natural há a utilização de tecnologias alternativas para a produção, de forma a se obter o aproveitamento máximo de recursos naturais, explorando todo o potencial do solo e as condições do ambiente como clima, recursos hídricos e relevo. Após a produção, o solo é  recuperado por meio do uso de compostos naturais, adubos verdes, controle natural das pragas, entre outras técnicas. O objetivo é a obtenção de uma produção que busca harmonia entre os seres vivos e o meio ambiente, promovendo o desenvolvimento sustentável.

 

Permacultura

O termo permacultura foi criado em 1978 pelo cientista e naturalista Bill Mollison. Ele refere-se à agricultura permanente, cujo objetivo é a permanência do ser humano na Terra. Na permacultura há a compreensão da ecologia e a utilização dos recursos naturais de maneira racional e sustentável. Os princípios básicos desse sistema são três: cuidar da terra, cuidar do futuro e cuidar das pessoas. Na permacultura coexistem práticas tradicionais agrícolas com metodologias novas, onde se estabelece um equilíbrio com o meio ambiente.